Como bater o CDI em 2025

Publicado em janeiro/2026

2025 foi um ano no qual o CDI rodou em plena capacidade, com uma rentabilidade acumulada no ano de 14,27%, equivalente a 1,12% ao mês. Não é coincidência que a captação de títulos bancários segue forte (texto aqui), em detrimento dos demais ativos brasileiros. Neste ano, as contas do “o que eu vou fazer se eu ganhar a Mega da Virada” foram todas feitas com 1% ao mês.

Diversificação

Apesar do CDI ser o melhor ativo do mundo (texto aqui) em 2025, uma carteira de investimentos que possa entregar retornos consistentes a longo prazo não pode viver apenas de juros de um dia (o CDI é essencialmente uma taxa que se renova diariamente).

Em busca de retornos mais sustentáveis, o investidor deve combinar diferentes classes de ativos, em um cenário onde a inflação caminha para a meta e a SELIC base poderia, ao longo dos próximos anos, cair até 8% ao ano. Neste caso, o ganhador da Mega Sena perderia metade de sua renda.

Nossos investidores não ganharam na Mega Sena, entretanto, construíram patrimônio e igualmente esperam que os proventos gerados por seus ativos possam sustentar seu estilo de vida a longo prazo. Portanto, nossas carteiras são diversificadas e possuem um pé em cada classe de ativos: ações, fundos imobiliários, renda fixa (curta, longa, indexa, prefixada, pós fixados -CDI), ações no exterior e, até mesmo, renda fixa no exterior.

O que aconteceu com o Ibovespa em 2025?

Apesar do custo de oportunidade alto (texto aqui), as empresas brasileiras se encontravam em patamar de extrema desvalorização. Já faz algum tempo que o índice brasileiro roda a dois desvios padrões abaixo de sua média de precificação, patamar que deveria ser visto como uma oportunidade.

Com um comportamento mais benigno da inflação e uma leve indicação de redução dos juros ao longo de 2026, o índice de ações brasileiras reagiu bem melhor do que qualquer um seria capaz de antecipar no início de 2025.

O Ibovespa subiu 34,1% ano de 2025, equivalente a 2,5% ao mês. O CDI é o melhor ativo do mundo, só não é o melhor ativo do ano.

O que aconteceu com o IFIX em 2025?

Gostamos sempre de dividir o mundo dos investimentos entre ‘investir em negócios’ ou ‘emprestar dinheiro para alguém’, tanto os fundos imobiliários quanto as ações são formas de investir em negócios. Enquanto nas ações você pode investir nos mais variados modelos empresariais, nos fundos imobiliários a dinâmica é mais simples.

Todo fundo imobiliário compra imóveis, que pagam aluguel, são deduzidos custos e a gestão tem a obrigação de devolver 95% do resultado para os cotistas. Negócio simples, com boa projeção de renda, mas pouca projeção de crescimento.

Por gerar muita renda e ter pouco potencial de crescimento (algo semelhante à renda fixa), a precificação deste tipo de negócio costuma ser muito sensível à expectativa dos juros futuros da economia.

O IFIX subiu 17,5% no ano de 2025, equivalente a 1,4% ao mês. O CDI não é nem o segundo melhor ativo do ano.

O que aconteceu com a Renda Fixa em 2025?

As condições nas quais o investidor pode emprestar dinheiro para alguém são várias. No mercado financeiro a classificação mais comum é dividir por indexador, basicamente temos 3 formas de pactuar o rendimento dos títulos: pós-fixado (CDI), indexado (normalmente um título corrigido pelo IPCA), e pré-fixado (sem índice de correção).

Apesar do nome ‘Renda Fixa’, com exceção do pós-fixado, os títulos de crédito variam sua precificação conforme os juros futuros. Quanto maior a expectativa de alta dos juros mais os títulos atuais se desvalorizam, e quanto maior a expectativa de queda dos juros mais os títulos atuais se valorizam. À intensidade na qual ocorre essa variação de preços dependerá do vencimento dos papéis, quanto mais distante o vencimento, mais sensível ao juro futuro é o preço do título.

Em nossos relatórios utilizamos a NTN-B 2035 como uma proxy da rentabilidade dos indexados e o pré-fixado 2031 como uma proxy dos pré-fixados, esses títulos renderam respectivamente 15,1% e 25,5% no ano. Parece que não sobrou nem espaço no pódio para o CDI em 2025.

O que aconteceu com a taxa de juros americana em 2025?

À parte da dinâmica brasileira, o mundo desenvolvido tem seu próprio ritmo e, muitas vezes, ancora as possibilidades futuras para os países emergentes. O FED (Banco Central americano) começou o ano com uma taxa básica de 4,50% a.a. e iniciou um ciclo de corte de juros no mês de setembro, os EUA terminaram o ano com os juros de curto prazo em 3,75% a.a.

A redução do juro americano reforça a percepção de que há espaço para queda de juros no Brasil e no mundo, ao longo de 2026. Além disso, a diminuição do custo de oportunidade global ajudou a sustentar o patamar de preço da própria bolsa americana.

A Fed Fund Rates apresentou um rendimento de 4,43% ao longo de 2025.

O que aconteceu com o S&P500 em 2025?

O ano começou com turbulência, logo em abril com o Liberation Day, o anúncio de tarifas norte-americanas em relação aos demais países fez as bolsas caírem, a própria bolsa americana chegou a cair mais de 10% no mês de abril.

Ao longo do ano com um alívio na retórica de guerra comercial, redução dos juros americanos e continuidade da alta lucratividade das empresas tech americanas o cenário foi revertido.

Em 2025 o S&P500 rendeu 17,9%.

Considerações sobre investimento no exterior

Vale observar que, no mundo desenvolvido, os juros correntes da economia são tão baixos que não há o que se discutir em relação ao rendimento mensal, também é disseminada uma cultura forte de investimento em negócios e ativos reais, de forma que a bolsa é parte essencial de um portfólio no exterior.

Também vale mencionar o fator cambial, para um investidor internacional a moeda neutra costuma ser o dólar, por outro lado, para a maioria dos nossos investidores a moeda neutra é o real, que se valorizou 14% ao longo do ano. Em reais, portanto, o S&P rendeu apenas 4% em 2025. Parece que o CDI é capaz de superar a excepcionalidade americana (contém ironia).

Ressalvas

Como de costume, a intenção do texto é apenas provocar o investidor a uma reflexão sobre seus investimentos, várias nuances ficaram de fora desse texto, fique à vontade para entrar em contato se quiser aprofundar a discussão, ou até mesmo indagar sobre algum ponto controverso.